Funerais

1.É na morte que damos sentido à vida.

Quando conhecemos a nossa finitude (por consequência de uma doença grave), fazemos reflexões internas profundas. Deixa de haver razão para a materialidade e passamos a descobrir sentimentos que queremos partilhar com os outros. A racionalidade passa para segundo plano. Na morte é comum os familiares reatarem relações que estavam há muito quebradas. Também é comum que digamos à pessoa que vai morrer (ou que já morreu): “Amo-te”, “Não sei o que fazer para viver sem ti” ou “Perdoa-me”. A intimidade entre aquele que morre e os que lhe estão relacionados é uma peça chave para a aceitação de todo o processo e para a elaboração de um luto salutar assente nas boas recordações e na presença espiritual daqueles que irão partir. Por mais doloroso que seja o processo de morrer, muitas pessoas aprendem a viver, dando um novo sentido à sua vida.

Uma mulher mastectomizada encontrou na doença o seu novo sentido de vida: viver com otimismo. Viver cada dia como se fosse o último. Para dar mais de si, o que até à data do diagnóstico não o fazia, esta mulher dedica a sua vida a ser voluntária junto de crianças e seus familiares (com a doença de cancro), no sentido de apoiar na doença e acalentar a dor. É notável estar na presença desta mulher que durante o workshopdisse-me a mim e ao grupo: “Vivo mais agora, porque sei que amanhã posso morrer e não quero deixar nada por fazer!”

Obrigado a esta mulher pela envolvência e por ser uma fonte viva da transmissão da empatia humana e da necessidade que temos de nos ‘despir”’das máscaras que ofuscam a nossa verdadeira natureza.

(Dr. Victor Sebastião)

2.Acompanhar quem sofre

Acompanhar significa estarmos ao lado da pessoa enlutada. Acompanhar, cuidando. Desde a mais tenra infância que aprendemos a ser protegidos pelos outros. A dor da perda é imensa e turva o comportamento, sentimentos e sensações do enlutado, sendo que procuramos muitas das vezes o conforto de contato por parte dos outros para nos sentirmos protegidos (daí a importância do toque genuíno e exclusivo de quem dá e da sensação de quem recebe).

Acompanhar é ajudar o enlutado a encontrar uma fonte de apoio que lhe permita:

1. Expressar a sua dor

2. Entender o que está a sentir

3. Ser aceite incondicionalmente

4. Não desistir e prosseguir

Quando acompanhamos o enlutado, temos que aceitar a sua dor como parte do processo de despedida/perda. Por vezes, a dor não é expressa através do choro, mas através da apatia ou até da revolta. Cada pessoa enlutada passa por um processo de reorganização que lhe permitirá adaptar-se a uma nova situação (viver sem o ente amado e perdido pela morte) e cabe ao profissional de ajuda criar uma relação empática, confiante e humana que permita a descoberta do sofrimento através do investimento na vida e nas novas relações.

São também ingredientes fundamentais na relação de ajuda ao enlutado a esperança, a e o investir na vida (após a morte) com base numa relação humana de confiança mútua! Temos de aceitar o outro e a expressão da sua dor, para nos aceitarmos a nós próprios. Não serve de nada pedir ao enlutado para não chorar ou não ficar triste, pois esta é a altura em que os profissionais estarão presentes para apoiar nesse sofrimento, acalentando a dor e aceitando-a como parte individual do enlutado. Temos que dar tempo ao tempo, mas não podemos desistir da pessoa à qual damos a nossa relação de ajuda, só porque a pessoa não se comporta ou “evolui” da forma como nós queremos que ela se comporte ou “evolua”.

A morte faz parte da vida. Com ela aprendemos a re-viver. A dor faz parte do desenvolvimento humano. Aprendemos a sofrer e ao lidarmos com o sofrimento descobrimos “salpicos” de nós próprios que nos tornam mais hábeis e adaptados e as relações tendem a fortalecer-se.

(Dr. Victor Sebastião)

3.Valores

Aluguer casa mortuária – 70 euros
Serviço religioso – 35 euros
Serviço religioso – gratuito para pobres
Aviso: certifique-se que a Agência Funerária cobrou exatamente estes valores no serviço religioso e aluguer da casa mortuária.
Missa por todos os defuntos na última sexta de cada mês na Igreja de Santo António.